05/03/2010 22:22 - COLUNA DO GUERRERO: A deliciosa profissão de narrador esportivo.

A deliciosa profissão de narrador esportivo
Dizem à língua miúda que a nossa profissão de narrador esportivo está e extinta. Balela! O que aconteceu de verdade foi uma revolução na forma de narrar, como aconteceu também em diversas outras áreas do jornalismo.
A bem da verdade, o que houve de fato foi uma guilhotinada em “cuspidores de microfone” que desqualificavam a profissão. Hoje um narrador esportivo tem que ter o mínimo de entendimento das modalidades e um ritmo menos chato possível para o ouvinte de rádio. No caso da TV ele precisa entender que a imagem fala mais do que a voz e no rádio é preciso se posicionar na função de levar a imagem para quem não está vendo, carregando na emoção sem ser piegas. Em mais de 26 anos na estrada, narrando futebol para rádio e tv, nunca tinha lido, ouvido ou visto nada que se referisse ao nosso trabalho de forma tão abrangente quanto o texto que você vai ler a seguir:


Li este trecho na net e gamei

O narrador esportivo é um “vendedor de ilusões”. Cabe ao narrador esportivo descrever o que ocorre num jogo de futebol, com precisão, e, detalhes.

Ao contrário dos locutores esportivos que estão mais preocupados com vinhetas, abraços, piadas, reverberações exageradas, pornografia e poesias.Sou fã dos narradores que me fazem “ver o jogo” sem estar no estádio ou na frente da tevê. Narrador esportivo descreve os lances de uma partida de futebol mostrando quem está com a bola, para quem foi passada, qual a posição em que o lance ocorreu, não esquecendo do placar e tempo de jogo. Essa é a função do narrador; as dúvidas ocorridas no desfecho de um lance devem ser esclarecidas pelo repórter colocado
atrás do gol ou na lateral do gramado. Ao comentarista cabe comentar o jogo. Hoje poucos descrevem o jogo; preferem interferir na seara do comentarista, dando sua opinião e esquecendo-se de narrar. Alguns pela rapidez que querem dar a transmissão engolem palavras; outros narram na base do - cruzou o zagueiro, cortou o zagueiro, defendeu o goleirão. Quem cruzou. De onde cruzou. Para onde cruzou. Quem cortou. Como é o nome do goleiro. Não dá nome aos atletas. Algumas transmissões são completamente lineares; cobrança do tiro de meta e jogada que se estende até a linha intermediária (entre meio de campo e grande área adversária) deve ser narrado com um tom mais coloquial; um chute a gol ou jogadas que se sucedem dentro das áreas devem conter a vibração que o futebol exige.

Hoje em cada 10 narradores, cinco gritam aos quatro ventos “ pro gooooollllll.... para fora”. É uma forma de aumentar a emoção de uma jogada de ataque. Porém 95% desses lances não resultam em absolutamente nada. Pura enganação. E você ainda ouve os surrados - a bola passa raspando a trave, tirando tinta do poste – (a tevê mostra que passou dois metros do poste) ou – balão de couro – (a bola de hoje é fabricada com material sintético e balão é outra coisa), ou ainda – um escanteio de mangas curtas -. E tem aquela do – estamos no intervalo do primeiro para o segundo tempo -. Um jogo de futebol tem apenas um intervalo, logo...

Edemar Annuseck

Obrigado, Edemar! Espero que o teu texto nos ajude a manter viva uma das mais gostosas profissões do mundo!
Roberto Guerrero – Narrador Show de Bola

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